No trailer já haviam indícios de que JoJo Rabbit seria um filme despretensioso no quesito de mostrar a segunda guerra mundial como algo pesado e dramático. O diretor Taika Waititi tem uma “ fama” de trazer humor em suas obras, e nessa não foi diferente, seus diálagos caminham entre um humor leve, ácido e insinuante.
Tudo começa com uma fotografia muito bem elaborada referente a cenário; Sejam elas cores, vestes, arquitetura, etc. Sua primeira cena tem a representação da estrela do filme, por assim dizer, JoJo interpretado por Roman Griffin Davis.
Em um diálago com seu amigo imaginário e idealizado, ninguém menos que Hitler e sim, por alguns mínimos milésimos de segundo a atuação do diretor faz com que você dê risadas desse personagem que marcou a história na vida real.
O pequeno nazista, vai para um acampamento onde lá encontra os personagens que se destacam em meio a trama: capitão Klenzendorf (Sam Rockwell) e Rahm ( Rebel Wilson), contribuindo para a composição de humor já mencionado anteriormente.
Nesse acampamento acontecem coisas que marcam a vida de Jojo para sempre, ganhando um novo nome e um novo rumo em sua vida.
A partir desse acaso, entra em cena a grande personalidade desse filme, sendo ninguém menos que Scarlett Johansson, dando vida a personagem Rosie Betzler, mãe de Jojo e rainha (pausa para idolatrar essa atriz que concorreu nas categorias de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante). Continuando, Rosie que apesar de não dar lado para o fanatismo nazista do filho, o respeita e deixa ser quem ele é, e isso é umas das coisas que me fez admirar-la ainda mais.
Pais tendem a possuir manias inescrupulosas de colocar todas as expectativas e gostos em cima do filho, esquecendo que o filhos são filhos. Rosie lida com isso muito bem, tendo uma opinião divergente do filho, e quando o mesmo traz à tona sua adoração ao fuhrer, ela o rebate de maneira sutil, há algumas piadas que ela faz com o filho, como por exemplo o chamando de “Shitler” mas nada com intenção ofensiva.
Pontos para Rosie que lida com a morte do marido e filha de forma a não se demonstrar abalada, preservando a saúde mental do filho.
As coisas tomam um rumo diferente, quando Jojo conhece Elsa (Thomasin McKenzie), uma judia se refugiando em sua casa aos cuidados de sua mãe, trazendo uma verossimilhança à Anne Frank.
A princípio Jojo planeja a morte da garota, mas com o passar do tempo, apesar do fanatismo do personagem, ele tem um coração doce e procura respostas. Onde podemos ver que ele começa a escrever um livro sobre os judeus.
E é ai que começa o humor insinuante, e que é destaque neste filme. Elsa diz coisas como “ Na cabeça de vocês eu não consigo entrar, ela é muito dura “, quando Jojo comenta sobre o que sabe de judeus, assim trazendo à tona mitos daquela época, em que os Judeus eram fantasiados com chifres e dentre outras descrições, sendo realmente criaturas maléficas.
Mas não para por ai, Yorki (Archie Yates) amigo de Jojo e presença marcante na trama, se refere aos russos como pessoas que transam com cachorros e comem crianças, boatos que rolavam se referindo aos comunistas naquela época.
Mudando um pouco de assunto, porém (vale lembrar que né, risos pra quem ainda acredita que o nazismo foi um movimento de esqueda, mas enfim...).Há muitas reviravoltas na vida do pequeno Jojo, que mesmo com dez anos, teve uma evolução gigantesca ao decorrer da trama.
Sem mais delongas, o filme apesar de retratar um período de muito pesar, não só para a Alemanha, mas para o mundo, não funciona como um documentário ou uma descrição, mas como uma história um tanto quanto autônoma.
Cheio de humor e metáforas, Jojo rabbit, com certeza mereceu estar na lista dos indicados ao Oscar de 2020.