Hoje tirei o dia para assistir o tão esperado e falado Coringa, e confesso que ao sair do cinema, fiquei sem palavras para descrever tal arte. Não sou acostumada a postar resenhas, mas não estou conseguindo guardar meu ponto de vista, o que me fez sair das opiniões de WhatsApp e expor meu lado cinéfilo e fã da DC.

Para começar, quem vai assistir o filme sem saber do universo DC, nem desconfia que há toda uma construção por trás, saindo totalmente do clichê VilãoXSuper- herói. Gotham é retratada como uma cidade comum, e por tempos te faz esquecer que o cenário é puramente obra ficcional.

A atuação de Joaquin Phoenix é tão indescritível que acabou ressuscitando um personagem morto, pós interpretação de Jared Leto.

Ele conseguiu trazer com maestria todas as dores, loucuras e o humor sádico de um dos personagens mais icônicos da história do cinema.

Sentada na poltrona consegui sentir todos os estágios de emoções do personagem, que começa com sua luta diária em um trabalho retratado de forma medíocre, passando pelas dores de viver o descontentamento de uma sociedade que está doente, até seu destino final. Sua condição de descontrole de riso em horas ora inapropriadas fechou com chave de ouro toda a conjuntura do personagem, onde vi que algumas pessoas ao meu redor davam risada com ele, fazendo o Coringa ser o Coringa, tirando os famosos “sorrisos amarelos” das pessoas.

Trilha sonora, enquadramentos, direção de arte, são coisas que nem vou entrar em detalhes, se não esse texto ficará maior do que já está, mas darei uma atenção especial a sua paleta de cores, me lembrando muito o clássico “Fabuloso destino de Amélie Poulain”, trazendo à tona e te imergindo em um cenário dos anos 80.

Minha ressalva principal vai para as críticas sociais que esse filme traz. Dentre elas: “As pessoas só gritam e berram umas com as outras e ninguém é educado” até “Durante toda a minha vida eu nem sabia se eu existia de verdade, mas eu existo e as pessoas estão começando a perceber”.

Elas mostram como vivemos em uma sociedade egoísta, impaciente e totalmente apática ao outro, onde falar um bom dia é raridade, não é atoa que vivemos em um século onde o índice de pessoas com depressão e ansiedade só crescem e somos conhecidos como a geração do Rivotril, como culpar alguém nos dias de hoje por chegar ao estado de loucura?

Pois bem, muitos críticos estão desmerecendo o filme por conter tanta violência, para começar se for procurar final feliz de super herói salvando o mundo, a Marvel tá aí para isso. A DC sempre foi famosa pelo seu lado obscuro e eu confesso que já estava com saudades, visto que desde “ Watchmen”, essa característica estava escassa em seus filmes.

Para finalizar, a realidade é que esse filme joga verdades e ninguém gosta de verdades. Se ele incita a violência, é porque o ser humano hoje é instigado pelo ódio. Vemos na cena do metrô com os policiais, como o caos se cria e vai se arrastando em um efeito dominó. Hoje isso é retratado em sua forma real, nas manifestações em prol de direitos humanos, pessoas em sua vivência rotineira que são mortas todos os dias. A verdade é: a sociedade está doente e ninguém está ligando. Assim cada vez mais fica difícil acreditar em Rousseau, e o pensamento de Hobbes é reafirmado.